Ficara claro desde o início, porque assim ele fizera questão.Não haveriam de apaixonar-se um pelo outro, não. "Comigo nao tem futuro..não é isso que eu quero pra mim..” , dizia ele.
Quando partia, era sempre sem revelar seu destino, e sem nunca precisar o momento de sua volta. Ela nunca sabia quando, o reencontro. E eram únicos os momentos compartilhados. Ele podia passar horas discorrendo sobre os mais diversos assuntos. E ela, ouvidos atentos, sem perder palavra.
Gostavam de ficar juntos..abraçados..Ela gostava de fazer carinho..ficar passando a mao no cabelo, sentindo o perfume..a barba por fazer..Sem declarações de amor, porém. Fora o convencionado. Ela cumpria, sempre. Ele nunca retribuía, nunca. E por mais que o combinado tivesse sido aquele, sentia-se de alguma forma negligenciada, deixada de lado. Ela dizia que um dia alguem ia derreter aquele coraçao..que ele ia se apaixonar..mas tinha que ser alguem de fora da cidade..pois depois de 6 anos ele ia embora e ela iria sofrer..Foi quando ele disse que tinha uma garota..que podia dar certo..mas que tinha ouvido umas historias sobre ela e nao tinha gostado..Ela sentiu algo incomodar..doer..e eram aquelas palavras..aquela garota..aquela garota que ela sabia que nao era ela e que tinha de alguma forma mexido com ele..
Não demorou para que tomasse a decisão de não voltar mais. Não havia compromisso.Não havia sentimento. Não havia. Não voltaria, então. E num daqueles dias de sol e céu azul, em que ele costumava vir, ela não apareceu. Ele estranhou, mas não deu importância. Algo devia ter acontecido.
Voltou nos dias que se seguiram, todos os dias. E ela não estava lá, onde sempre estivera. Não respondia seus chamados no telefone. Semanas se passaram, e a ausência que antes incomodava agora doía.
Num daqueles dias em que atrasado, mal tinha tempo para o café da manhã, o copo de leite sobre a mesa, não conseguia encontrar as chaves do carro. Lembrou-se da chave extra, guardada numa mala, em seu armário. Ao enfiar a mão no bolso em busca da chave, encontrou o bilhete, cuidadosamente dobrado. Ao abrir, reconheceu a caligrafia. “Gosto. Eu gosto. Ah, como eu gosto! Me apaixonei...quebrei a nossa regra..E assumo toda a minha culpa. Adeus.”

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